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Ondas de Choque: O Que São, Como Funcionam e Quando São Indicadas

As ondas de choque são uma modalidade utilizada no tratamento de determinadas condições musculoesqueléticas, particularmente em algumas tendinopatias e apresentações de dor persistente. Apesar do nome, não se trata de um “choque…

13 de Outubro de 2025 10 min de leitura

As ondas de choque são uma modalidade utilizada no tratamento de determinadas condições musculoesqueléticas, particularmente em algumas tendinopatias e apresentações de dor persistente.

Apesar do nome, não se trata de um “choque elétrico”. O equipamento produz impulsos mecânicos que são transmitidos aos tecidos através de um aplicador colocado sobre a região selecionada.

A sua utilização deve partir de uma avaliação clínica. Nem todas as dores ou tendinopatias têm indicação para ondas de choque e esta modalidade não deve ser encarada como substituto de um plano de acompanhamento adequado à condição e à pessoa.

O que são as ondas de choque?

A terapia por ondas de choque utiliza ondas acústicas ou impulsos mecânicos aplicados externamente sobre uma determinada região do corpo.

Existem diferentes tecnologias de ondas de choque. Entre as mais utilizadas em contexto musculoesquelético encontram-se as ondas de choque focais e as ondas de pressão radiais, frequentemente designadas na prática clínica como ondas de choque radiais.

Apesar de poderem ser utilizadas para algumas indicações semelhantes, não são tecnologias idênticas. Diferem na forma como a energia é produzida e distribuída pelos tecidos.

Ondas de choque radiais

Nos sistemas radiais, um projétil é acelerado no interior do aplicador e transfere energia para a cabeça de tratamento. O contacto desta com o corpo produz impulsos de pressão que se propagam a partir da superfície para os tecidos.

Os parâmetros utilizados — incluindo pressão, frequência, número de impulsos e aplicador — podem ser ajustados de acordo com a região, condição e tolerância individual.

Ondas de choque focais

Os sistemas focais permitem concentrar energia numa determinada profundidade através de tecnologias específicas de geração da onda.

A escolha entre tecnologias não deve ser feita apenas com base na ideia de que uma é simplesmente “mais forte” do que a outra. A indicação clínica, a estrutura a abordar, a evidência disponível e o equipamento utilizado são relevantes.

Como atuam nos tecidos?

A interação entre as ondas de choque e os tecidos desencadeia estímulos mecânicos que podem originar diferentes respostas biológicas. Este processo é frequentemente enquadrado no conceito de mecanotransdução: a transformação de um estímulo mecânico em respostas celulares e bioquímicas.

Os mecanismos responsáveis pelos resultados clínicos continuam a ser investigados e podem variar de acordo com a condição, tecnologia e parâmetros utilizados.

Por esse motivo, expressões como “regenerar o tecido” ou “desfazer a inflamação” são simplificações excessivas e não descrevem adequadamente tudo o que ocorre durante o tratamento.

Em que condições podem ser utilizadas?

A evidência e as recomendações não são iguais para todas as condições. Existem apresentações musculoesqueléticas em que as ondas de choque têm sido mais estudadas e outras em que a evidência permanece mais limitada ou inconsistente.

Fasciopatia plantar

A fasciopatia plantar é uma das condições em que a terapia por ondas de choque tem sido amplamente estudada, particularmente em apresentações persistentes.

A dor ocorre frequentemente na região plantar do calcanhar e pode ser mais intensa nos primeiros passos após um período de repouso.

Tendinopatia de Aquiles

As ondas de choque podem ser consideradas em determinadas apresentações de tendinopatia de Aquiles, integradas num plano que pode também incluir gestão das cargas e exercício progressivo.

Tendinopatia patelar

Em algumas pessoas com tendinopatia patelar persistente, particularmente em contextos desportivos com elevada exposição a saltos e cargas repetidas, esta modalidade pode ser considerada após avaliação.

Tendinopatias do ombro

A utilização de ondas de choque tem sido estudada em determinadas apresentações do ombro, incluindo algumas formas de tendinopatia calcificante do manguito rotador.

A presença de uma calcificação num exame de imagem, por si só, não determina automaticamente a necessidade de tratamento.

Epicondilalgia lateral

A dor na região lateral do cotovelo, frequentemente denominada “cotovelo de tenista”, é outra apresentação em que as ondas de choque têm sido investigadas.

Síndrome dolorosa do grande trocânter

Algumas apresentações de dor lateral da anca relacionadas com os tendões glúteos podem também ser consideradas, dependendo do diagnóstico e da situação clínica.

Como é feita a avaliação?

Antes de decidir utilizar ondas de choque é necessário perceber o que está a ser tratado e porquê.

A avaliação pode incluir:

  • história e evolução dos sintomas;
  • localização e comportamento da dor;
  • avaliação funcional;
  • tolerância à carga;
  • testes clínicos relevantes para a região;
  • atividade profissional ou desportiva;
  • tratamentos anteriormente realizados;
  • identificação de contraindicações ou precauções.

Quando existem dúvidas relativamente ao diagnóstico ou sinais que justifiquem investigação adicional, pode ser necessária referenciação ou avaliação por outro profissional de saúde.

É necessário fazer uma ecografia ou ressonância?

Nem sempre. A necessidade de exames complementares depende da condição e da apresentação clínica.

Quando já existem exames relevantes, estes podem ser considerados em conjunto com a história e o exame clínico. Uma alteração estrutural observada numa imagem não deve ser interpretada isoladamente.

Como decorre uma sessão?

Depois de identificada a região a tratar, o aplicador é colocado sobre a pele com um meio de contacto adequado.

A intensidade pode ser iniciada num nível mais baixo e ajustada progressivamente de acordo com a condição, objetivo e tolerância da pessoa.

Durante a aplicação são administrados múltiplos impulsos. Os parâmetros não têm de ser exatamente iguais em todas as sessões ou em todas as pessoas.

É doloroso?

Pode existir desconforto durante a aplicação, especialmente em regiões mais sensíveis. A intensidade pode ser ajustada ao longo da sessão.

O objetivo não é provocar a maior dor possível. Uma aplicação mais intensa não significa necessariamente um tratamento melhor.

O que acontece depois?

A resposta após a sessão varia. Algumas pessoas apresentam sensibilidade transitória na região tratada; outras praticamente não sentem alterações imediatas.

A evolução deve ser avaliada ao longo do acompanhamento e não apenas pela sensação imediatamente após uma sessão.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe um número universal de sessões aplicável a todas as condições.

Na prática clínica, determinados protocolos utilizam várias aplicações separadas por alguns dias, mas o número e intervalo devem ser ajustados à condição, resposta e evolução.

O mais importante é existir reavaliação. Se a evolução não corresponde ao esperado, deve ser reconsiderada a hipótese clínica, a indicação para continuar e o restante plano de acompanhamento.

Os resultados são imediatos?

Não necessariamente. Algumas pessoas podem notar alterações mais cedo, enquanto noutras a evolução ocorre progressivamente ao longo das semanas.

Não é adequado garantir previamente um determinado resultado ou prazo de recuperação.

Ondas de choque e exercício

Em muitas tendinopatias, o tratamento não termina na aplicação das ondas de choque.

A capacidade do tecido para tolerar as exigências do quotidiano, trabalho ou desporto continua a ser relevante. Dependendo da situação, o acompanhamento pode integrar exercício e progressão das cargas.

A utilização de ondas de choque pode, assim, fazer parte de uma estratégia mais ampla em vez de funcionar como uma intervenção isolada.

Integração com a Osteopatia

No contexto da consulta de Osteopatia, a utilização de ondas de choque pode ser considerada quando a avaliação identifica uma condição para a qual esta modalidade é apropriada.

A avaliação não se limita ao ponto doloroso. Dependendo da apresentação, podem ser considerados mobilidade, função, capacidade de produzir e tolerar carga, atividade física e outros fatores relevantes.

O acompanhamento pode integrar:

  • educação e explicação da condição;
  • gestão da atividade e das cargas;
  • exercício;
  • técnicas manuais quando adequadas;
  • ondas de choque quando existe indicação;
  • reavaliação clínica ao longo do processo.

A combinação utilizada depende da pessoa e da condição apresentada.

Que equipamento é utilizado?

Nas consultas em que existe indicação para ondas de choque utilizo o STORZ Medical MASTERPULS ONE, um sistema de ondas de pressão radiais destinado à utilização clínica.

STORZ Medical MASTERPULS ONE utilizado para ondas de choque radiais
STORZ Medical MASTERPULS ONE — sistema de ondas de pressão radiais.

O equipamento permite adaptar diferentes parâmetros da aplicação à região e ao objetivo definido após avaliação.

A tecnologia utilizada é importante, mas não substitui a decisão clínica. O equipamento é uma ferramenta dentro do acompanhamento.

Existem contraindicações?

Sim. Apesar de ser uma modalidade não invasiva, as ondas de choque não são apropriadas em todas as pessoas ou regiões.

Existem contraindicações e precauções que dependem, entre outros fatores, da região a tratar, condição clínica, historial e determinadas terapêuticas concomitantes.

Por esse motivo, a aplicação deve ser precedida por avaliação e confirmação de que a modalidade é apropriada para a situação em causa.

Ondas de choque em Braga

As ondas de choque radiais estão disponíveis na UCDI, em Braga, no âmbito do acompanhamento realizado pelo Dr. Filipe Rodrigues, Osteopata.

A modalidade é utilizada quando existe indicação após avaliação, podendo ser integrada com outras estratégias de acompanhamento de acordo com a condição apresentada.

Quando as ondas de choque não são adequadas à situação, a avaliação permite discutir outras opções ou, quando necessário, orientar para outro profissional de saúde.

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